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sexta-feira, 17 de junho de 2011

página 1 = Tonta

Tonta
J.G. de Araújo Jorge
Dizes que ficas tonta ... quando em tua boca
ergo a taça da minha a transbordar de beijos
e te dou a beber dessa champanha louca
que espuma dos meus lábios para os teus desejos.
Dizes ... E em teu olhar incendiado talvez
como que tonto mesmo e ardendo de calor
vejo se repetir minha própria embriaguez
e o mundo de loucura que há em nosso amor ...
E receio por ti e por mim receio
que um dia ao te sentir tão junta, eu enlouqueça
e aperte no meu peito a macies do teu seio ...
Dizes que ficas tonta ... Hás de então ficar louca !
E eu tomando entre as mãos tua cabeça
hei de fazer sangrar de beijos tua boca !...

Este poema é todo o louco amor que tive em minha vida por meu namorado, noivo e marido.

SolCira
2011

página 4 = Fuga

Fuga
J.G. de Araújo Jorge
Amo um lugar assim, amo os lugares
onde há montanhas, selvas, passarinhos
- onde o giz alvacento dos luares
fazem rabiscos de luz pelos caminhos
Que bom ficarmos sempre assim sozinhos
Quanta coisa depois, para lembrares :
- esta calma varanda ... os meus carinhos
um silêncio ... que é música nos ares ...
A porteira lá em baixo ... A estrada, o fim ...
Ah! Se pudéssemos nos esquecer
para onde segue aquela estrada assim ...
Ah! Se pudéssemos pensar que aquela
estrada, ali adiante vai morrer ...
- Como a vida, meu Deus, seria bela !

SolCira
2011

página 5 = Classicismo

Classicismo
J.G. de Araújo Jorge
Longínquo descendente dos helenos
pelo espírito claro e a alma panteísta
- amo a beleza esplêndida de Vênus
com uma alegria singular de artista.
Amo a aventura e o belo, amo a conquista
Nem receio os traidores e os venenos ...
- Trago na alma,engastada, uma ametista
- meus olhos de esmeraldas, são serenos
Com os pés na terra tenho o olhar no céu
a alma, pura e irrequieta como as linfas
soltas no chão, nos lábios, tenho mel ...
Meu culto é a liberdade e a vida sã
O ainda hoje sigo a perseguir as ninfas
com a minha flauta mágica de Pã.

SolCira
2011

página 6 = Humildade

Humildade
J.G. de Araújo Jorge
Na humildade tristonha de uma poça d´agua
que a última chuva deu vida,
há boiando a alegria colorida de um arco-íris ...
Não te importes pois, se nos meus olhos
tu te refletires ...

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pensamento
1 = " Afligir-se antes do tempo é afligir-se duas vezes " .

SolCira
2011

página 8 = Amargura

Amargura
J.G. de Araújo Jorge
Só podes ofertar o silencio e a amargura
Meu pobre amor de ti só espera a indiferença
perdoe meu amor ... perdoa-me a loucura
que quem tem como eu tenho, um coração, não pensa ...
Há muito pela vida andava na procura
de alguém que viesse encher de luz minha descrença
Foi então que te vi ... e julguei que a ventura
pudesse ainda encontrar nesta jornada imensa ...
E foi assim que um dia eu fui sentimental
Acreditei no amor ... E, talvez, por castigo
fizeste-me sofrer - mas não te quero mal
Quem amou fui eu só ... Eu nunca fui amado :
- mereço a minha dor, e este sofrer bendigo
amargura cruel de me julgar culpado.

página 9 = Mascarados

Mascarados
J. G. de Araújo Jorge

Mascarados os dois - ou mascarada
na hipocrisia com que iludo a vida
Tu, na aparência inútil e fingida
que, usas na rua com o maior cuidado
Passas por mim e segues a meu lado
como um outro qualquer desconhecido
quem há de imaginar nosso passado
e a intimidade entre nós dois perdidas ...
Ninguém ... Certo ninguém pensa e advinha
porque eu não digo e tu não dizes
que eu já fui tua ... o que já foste meu
mas quanta vez, amargurada, penso
em como nos sentimos infelizes
no carnaval de nosso orgulho imenso...

SolCira
2011

página 10 = Alcova nupcial

Alcova Nupcial
J. G. de Araújo Jorge
Tímida, pálida, nervosa e bela
tão linda assim semi-despida.
Deixa no seio em flor a cândida donzela
morrer o suspiro de uma doce querida
A luz fosca da lampada amarela
se espreguiça, se alonga em torno dela
e a noiva suspirando os olhos fecha
Chega o noivo, há momento indeciso
Há corações tremendo de ânsia louca e desejos
Há beijos, há carinhos e sorrisos.
A luz apaga e a alcova encerra
Dois corpos, duas almas, duas bocas
e uma virgem a menos sobre a terra.

Super lindo, todo sonho de um casal de namorados e enamorados.

SolCira
2011

página 11 = Prece

Prece
J. G. de Araújo Jorge
Bendita sejas tu em meu caminho !
Bendita sejas tu - pela coragem
com que fizeste de um amor selvagem
esse amor que se humilha ao teu carinho !
bendita sejas, porque a tua imagem
suaviza toda a angústia e todo espinho ...
Já não maldigo a insipidez da viagem,
nem me sinto mais só, nem vou sozinho ...
Bendita sejas tantas vezes ( querida ) quantas
são as aves no céu, e são as plantas
na terra; e são as horas de emoção
em que juntos ficamos, de mãos dadas,
como se as nossas vidas irmanadas
vivessem por um mesmo coração.

Obrigada J. G de Araújo Jorge por ter com sua poesia embalado a minha alma e a de meu namorado durante toda nossa vida.

SolCira
2011

página 12 = Soneto à tua volta

Soneto à tua volta
J. G. de Araújo Jorge
Voltaste, meu amor ... enfim voltaste !
Como fez frio aqui sem teu carinho !
- A flor de outrora refloresce na haste
que pendia sem vida em meu caminho !
Obrigado ... Eu vivia tão sozinho ...
Que infinita alegria, e que contraste !
- Volta a antiga embriaguez porque voltaste
e é doce o amor, porque é mais velho o vinho !
Voltaste ... e eu dou-te logo este meu poema
simples e humilde, repetindo um tema
da alma humana esgotada e envelhecida.
Mil poetas outras voltas celebraram ...
- mas, que importa?? - se tantas já voltaram
só tu voltaste para minha vida

Este poema durante muitos anos foi para mim um hino. meu namorado viajava muito e quando ele voltava era uma festa bem traduzida nestas linhas
SolCira
2011

página 34 = Ciúme





Ciúme
J.G. de Araújo Jorge
Encontro em ti tudo que imaginava
na mulher para ser o meu ideal
não é teu olhar, tua voz clara
e essa expressão que tens sentimental
Nem essa graça ingênua hoje tão rara
de quem não sabe onde se encontra o mal
ou o teu riso feliz que se compara
ao tinir de uma taça de cristal
E tudo em ti traço por traço, tudo : -
as suas mãos são rendas de ternura
teus carinhos macios de veludo.
Por isso mesmo é que é maior a dor
quando amargo a mais íntima tortura
por não ter sido seu primeiro amor.

Esta poesia me foi ofertada por meu namorado que chegou a ser meu marido. Namoramos muitos anos ( 06 anos ) e ficamos casados por pouco tempo ( 06 anos ). Convivemos então por 12 anos, sempre com muito amor, paixão, carinho.

SolCira
2011