sexta-feira, 17 de junho de 2011

Primeiras palavras







Álbum de Versos
pertencente à Jacira Macedo Soares de Almeida
Caminho do Mateus, Inhaúma, Estado da Guanabara, Cidade do Rio de Janeiro
11 de setembro de 1964




N´estas folhas perfumadas
Pelas rosas desfolhadas
D´esses cantos de amizade
Permite que venha agora
Quem longe de você chora
Bem triste gravar : SAUDADE !!!
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Prece
" Dai-me , Senhor, coragem e força para que possa mostrar-me digno de haver sido criado à vossa imagem "



Observação em 2011
Nesta data, 17 de junho de 2011 termino a digitação deste Caderno de Poesias. Foi um presente de Marlene de Assis Silva. Em 1964 eu estava completando a idade de 15 anos. Tinha a vida toda pela frente, ilusões, desejos, metas, paixões. Tinha um mundo a conquistar. O desejo de ser professora ardia em minha mente. Cumpri o desejo, cumpri a meta. Me formei, lecionei por 25 anos seguidos. Tão simples. Caminho acidentado. Dissabores. Aprendi que a estrada não é reta, não é asfaltada, não tem recuos, não tem paradas, segue por aqui e por ali, desvia, é acidentada mas, o caminho está lá. E você segue, muitas vezes relutante mas, segue. Paisagens diversas, gente diversa, tempos diversos, pensamentos diversos. E você muda com o tempo, muda seu pensamento, sua forma de agir, seus amigos, seus parentes, seu corpo, seus sentimentos. Alguma coisa permanece, saudade, emoção, etc., algumas coisas ficam na lembrança, mas um cheiro, um gosto, um som, uma palavra, um odor pode ter a capacidade para recordar e fazer viver os mesmos momentos de uma nova forma.
Espero que aquele que por estas páginas passar , ler e analisar possa também recordar, se a idade assim o permitir ou de alguma forma sentir aquilo que eu vivi por algum tempo em minha juventude
Jacira Macedo Soares de Almeida
jaciramsa@ig.com.br
SolCira
2011

página 1 = Tonta

Tonta
J.G. de Araújo Jorge
Dizes que ficas tonta ... quando em tua boca
ergo a taça da minha a transbordar de beijos
e te dou a beber dessa champanha louca
que espuma dos meus lábios para os teus desejos.
Dizes ... E em teu olhar incendiado talvez
como que tonto mesmo e ardendo de calor
vejo se repetir minha própria embriaguez
e o mundo de loucura que há em nosso amor ...
E receio por ti e por mim receio
que um dia ao te sentir tão junta, eu enlouqueça
e aperte no meu peito a macies do teu seio ...
Dizes que ficas tonta ... Hás de então ficar louca !
E eu tomando entre as mãos tua cabeça
hei de fazer sangrar de beijos tua boca !...

Este poema é todo o louco amor que tive em minha vida por meu namorado, noivo e marido.

SolCira
2011

página 2 = Maldade

Maldade
J.G. de Araújo Jorge
Tu podes ser igual a todo mundo
teres defeitos mais que toda gente,
- que me importa ? se este amor é cego e profundo
teima em dizer que te acha diferente !
Para mim ( eu que te amo como um louco ),
os que falam de ti são línguas más,
- Ah! todo amor que te dedico é pouco
e é sempre pouco o amor que tu me dás !
Sou a sombra que segue os teus desejos,
e aos teus pés, numa oferta extraordinária
a minha alma vendeu-se por teus beijos ...
Falam de ti ... Escuto-os ... Fico mudo ...
Quanta maldade cruel, desnecessária
se eu já sei quem tu és ... se eu sei tudo !

SolCira
2011

página 3 = Estranha encruzilhada

Estranha Encruzilhada
J. G. de Araújo Jorge
Não sei porque cruzou com a tua, a minha estrada
o destino é inconsciente, irônico e mordaz;
- encontro-te, e afinal, já sei que és amada
- encontro-te,e afinal, já é bem tarde demais.
Já não posso esquecer a existência passada,
perdi meu coração, o amor não tenho mais
Já não tens coração e a tua alma, coitada,
sofrendo há de ficar sem me esquecer jamais.
Até hoje nesse amor não tínhamos pensado
é por isso talvez que em silêncio tu choras
e em silêncio também meu pranto é derramado.
Eu cheguei ... Tu chegaste ... Estranha encruzilhada
se eu tenho que partir depois que tu me adoras
se eu tenho que ficar sabendo-te adorada !

Incrível que nesta época achei esta poesia bonita mas, não sabida que ela iria ser a poesia na qual muitas histórias de minha vida seriam contadas.

SolCira
2011

página 4 = Fuga

Fuga
J.G. de Araújo Jorge
Amo um lugar assim, amo os lugares
onde há montanhas, selvas, passarinhos
- onde o giz alvacento dos luares
fazem rabiscos de luz pelos caminhos
Que bom ficarmos sempre assim sozinhos
Quanta coisa depois, para lembrares :
- esta calma varanda ... os meus carinhos
um silêncio ... que é música nos ares ...
A porteira lá em baixo ... A estrada, o fim ...
Ah! Se pudéssemos nos esquecer
para onde segue aquela estrada assim ...
Ah! Se pudéssemos pensar que aquela
estrada, ali adiante vai morrer ...
- Como a vida, meu Deus, seria bela !

SolCira
2011

página 5 = Classicismo

Classicismo
J.G. de Araújo Jorge
Longínquo descendente dos helenos
pelo espírito claro e a alma panteísta
- amo a beleza esplêndida de Vênus
com uma alegria singular de artista.
Amo a aventura e o belo, amo a conquista
Nem receio os traidores e os venenos ...
- Trago na alma,engastada, uma ametista
- meus olhos de esmeraldas, são serenos
Com os pés na terra tenho o olhar no céu
a alma, pura e irrequieta como as linfas
soltas no chão, nos lábios, tenho mel ...
Meu culto é a liberdade e a vida sã
O ainda hoje sigo a perseguir as ninfas
com a minha flauta mágica de Pã.

SolCira
2011

página 6 = Humildade

Humildade
J.G. de Araújo Jorge
Na humildade tristonha de uma poça d´agua
que a última chuva deu vida,
há boiando a alegria colorida de um arco-íris ...
Não te importes pois, se nos meus olhos
tu te refletires ...

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pensamento
1 = " Afligir-se antes do tempo é afligir-se duas vezes " .

SolCira
2011