sexta-feira, 10 de junho de 2011

página 47, 48, 49 = Fôlha Negra

Fôlha Negra
Casimiro de Abreu
Sinhá, um outro mancebo
Alegre, poeta e crente
soltara um canto fremente
de amor talvez - de alegria
e aqui nas folhas do livro
deixará - amor e poesia
Mas eu que não tenho risos
nem alegrias tão pouco
em sinto este fogo louco
que a mocidade consome
nas brancas folhas do livro
só posso deixar meu nome
é triste como um gemido
é vago como um lamento
- queixume que volta o vento
nas pedras de uma ruina
na hora em que o sol se apaga
e quando o lírio se inclina
grito de angústia do pobre
que sobre as àguas se afoga,
cadáver que bóoia e voda
longe da praia querida
grito de quem na agonia
- já morto - se apega à vida
vozes de flauta longínqua
que as nossas mágoas aviva
soluço da patativa
queixume do mar que rola
cantiga em noite de lua
cantada ao som da viola
saudade do pegureiro
que chora o seu lar amado
- calado e só - recostado
na pedra de algum caminho
canção de santa douçura
da mãe que embala o filhinho
Meu nome ! ... É simples e pobre
mas é sombrio e traz dores
- grinalda de murchas flores
que o sol queima e não consome
- Sinhá ! ... das folhas do livro
é bom tirar meu nome.

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pensamentos
17 = " Há sempre uma mulher na origem de todas as grandes coisas " .
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18 = " O patriotismo, praticamente, consiste no trabalho " .
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19 = " A inveja abala os cumes mais altos " .
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20 = " De todas as artes a mais bela, a mais expressiva, a mais difícil é sem dúvida a arte da palavra " .
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21 = " A mulher é a filha mais nova e a mais querida de Deus, a mais perfeita das criaturas " .
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SolCira
2011

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