Adendos

Amor do Jardim
                      Paulo mendes Campos
Sempre é cedo para dizer teu nome, meu amor,
Amor puro do jardim,
Amor à luz da lâmpada pensativa,
A eletrola solene e ampla
Dentro da noite armada de estrelas além da folhagem.
Me lembro mais de ti rindo-se de meiguice,
Os cabelos molhados, desfeitas as flores que levavas
Do que depois da chuva com os raios do sol,
Muito real o sol,
Ou a lua, imaginária demais para as tuas vontades.
A fatalidade também do reino vegetal
( VOICI DES FRUITS, DES FLEURS, DES FEUILLES ET DES BRANCHES )
Com a surpresa das flores, o devaneio das lianas,
O mistério antigo e forte do perfume,
Deu-se em nossa vida uma geometria inesperada,
Uma poesia muito definitiva de botânica,
Com seus enredos de caule, de estame, de corola,
Com significado indireto de perfeições adivinhadas
Quantas vezes surpreendeu-nos a luz branca da camélia,
A mensagem do jasmim-do-cabo esparsa no ar,
O soneto da rosa desfolhado na relva.
Sombra, recôncavo,
Linguagem tépida de gineceu ...
Aprendemos a suspeitar muita coisa, cada coisa,
A raiz pobre das fendas do muro encardido,
A melancolia suburbana do gerânio.
Nós dois : seres vegetais entre arbustos
( Jacinto, angélica, amaranto, cravo, zínia, tulipa, dália,
Violeta, hortênsia, junquilho, miosótis, lírio, begônia )
A buscar o fogo que as raízes bem nas profundezas para fazê-las,
As flores.
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" As paixões são as únicas oradoras que convencem sempre " .
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" O amor faz passar o tempo e o tempo faz passar o amor " .