Violante
Eugênio de Castro
Acorda cedo como os passarinhos
E vem logo direto à minha cama
Sacode-me com jeito, por mim chama
E abre-me os olhos com seus dedinhos.
Estremunhando, zango-me - " Beijinhos,
não quer beijinhos? " com voz d´ouro exclama
Da minha ira empalidece a chama
E acariciando, pago os carinhos.
Senhor! Que amor de filha tu me deste
Dá-lhe um caminho brando e sem abrolhos
Dá-lhe a virtude por amparo e guia
E destina também, Ó Pai Celeste
Que a mão com que ela agora me abre os olhos
Seja a que há de fechá-los algum dia.
Eugênio de Castro e Almeida nasceu em 04MAR1869 e faleceu em 17AGOS1941
Achei lindo este poema e aindo o acho. Foi feito para sua filha e me vejo assim exatamente. Minha falecida mãe faleceu a meu lado e ainda fiz respiração boca-a-boca e massagem cardíaca para ver se restabelecia sua vida. Por um instante seus olhos se abriram e me olharam. Não sei exatamente se ela me viu. Disseram os médicos que foi somente por oxigenação mas, eu prefiro guardar para mim que neste momento ela voltou-se para mim e que guardou em si, no mas recôndido de sua alma e espírito, minha imagem, meu rosto tão perto do seu. Nunca fui uma filha que ficasse grudada fazendo carinho em minha mãe. Ela reclamou disso várias vezes. Acho que bastava eu estar sempre a seu lado, largando tudo e todos para ficar com ela. Agarramentos, beijamentos não eram isto lá comigo. Satisfiz seus desejos e lhe fiz companhia até seu último momento onde ela ganhou de mim meus últimos beijos ardentes ( os beijos que ela queria eu os dei como minha vida, em sua boca, em seu último alento ) meus beijos de amor e paixão, tentei dar a ela o meu folego, insulflando seu pulmões com o ar da vida que corria em minhas veias ( não pude ser Deus neste momento ) e os meus últimos toque massageadores em seu corpo querido ( os carinhos tão esperados ). Chamei-a, olhei seus olhos brilhantes que olhavam para mim como a guardar minha imagem final. Olhei a última vez o rosto querido e num último falar, fraco em seu ouvido, eu pude dizer : vai se assim o queres, eu te amo. E fechei seus olhos para sempre.
SolCira
2011
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