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terça-feira, 7 de junho de 2011

página 54 = Brinde





Brinde
Tomarei tua cabeça entre as mãos
como uma taça
e transbordará o louro champagne
dos teus cabelos sobre meus dedos.
Me olharei no cristal dos teus olhos
e verei minha imagem refletida no desejo que efervesce
e beberei em teus lábios entreabertos a tua vida
até que teus olhos fiquem vazios e ausentes...
até que te sintas leve e gloriosa como um taça de cristal traspassada de luz
Num brinde a esse segundo de extase imortal
uma taça que, por esse segundo morreria afinal espatifada
Num grito de prazer explendido e triunfal
tua cabeça entre minhas mãos será a taça com que brindarei
nesse segundo
o destino do amor
no destino do mundo !!!

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Leia mais em
www.jgaraujo.com.br


Poema de J. G . de Araújo Jorge ( 1965 ) nasceu em 20 de maio de 1914 no Acre. Foi deputado federal em 1970, faleceu em 27 de janeiro de 1987, é considerado o Poeta do Povo e da Mocidade
SolCira
2011

domingo, 5 de junho de 2011

página 63, 63 - O palhaço

- poucos momentos antes da pane de luz


O palhaço
Padre Antônio Tomás
Ontem via-se-lhe em casa a esposa morta
e a filhinha mais nova tão doente
Hoje o empresário vai bater=lhe à porta
que a platéia o reclama impaciente.
Ao palco em breve surge ...
Pouco importa
o seu pesar àquela estranha gente
e ao som das ovações que os ares corta
trejeita, e canta, e ri nervosamente.
Aos aplausos da turba ele trabalha
para esconder no manto em que se embuça
a cruciante angústia que o retalha
no entanto a dor cruel mais se lhe aguça
e enquanto o lábio trêmulo gargalha
dentro do peito o coração soluça.


Há pucos dias atrás estive com minha neta em um circo. Ela ficou encantada com as cores e a alegria. Muitos sorrisos encantadores, convidadtivos, esfuzeantes. Belas atuações num palco com luz neon, fumaça artificial, grandes montagens eletrônicas. Não é um circo antigo pois obedeceu ao progresso, a tecnologia, aos computadores e em dado momento,a luz apagou, tudo pifou. O público ficou estarrecido. Medo era a primeira palavra, depois um pouco de indignação. Faltar luz, e agora ?
Por alguns momentos os palhaços ficaram no picadeiro, sorrindo, esperando a continuação do espetáculo.
Lembro que no intervalo da programação vi, um funcionário observar as fiações. Será que ele já estava esperando por isso?? Vi também que um refletor, examinado por ela não ficou aceso. Acho que o problema veio de lá. Os palhaços se recolheram, as cortinas foram fechadas. Muitas pessoas começaram a se levantar, queriam ir embora. Ouvi dizerem que os ingressos deveriam ser substituídos por outros. Início de tumulto.
Os chefes de apresentação acalmaram o povo, pediram um tempo pois os geradores iriam ser ligados e com ele toda a parafernalha eletrônica. Realmente isto aconteceu e o espetáculo foi reiniciado. E foi até o fim com sua luz neon, seus raios lazer, sus música e alegria.
Fiquei pensando em certo momento que muitas vezes, estes artista sofrem perds e sorriem para uma platéia que vai até lá para sorrir e muitas vezes, esta platéia está repleta de tristeza mas procura nas faces dos artistas uma certa forma de viver e sorrir. Parabéns a todos os artistas que nos fazer viver um pouco da alegria que procuramos.

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Mente quem diz nesta vida
muitos males ter sofrido
só de um mal a ghente sofre
é o mal de ter nascido.
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SolCira
2011